Última Morada

Vivemos tempos raros. Misturam-se dúvidas com certezas. 

A razão e a intuição não suportam nada. Não existe um caminho certo e um outro errado.

Vivemos na ânsia de um dia melhor. Amanhã será um dia melhor. 

Sobrevivemos um dia mais e falta um dia menos para que o dia esperado, sem data, chegue. Sempre um dia menos.

Andamos ocupados a pensar na vida mas quando pomos os pés na terra não é isso que importa.

A dúvida é: onde queremos morrer?

Se está peste negra nos levar a todos onde é que queremos estar? Onde é que a onda nos deve levar? Onde é que deverão procurar o que era o meu corpo?

Quando o pior parece estar a piorar o que me invade é o desespero de estar longe daquela que quero que seja a minha última morada. Quero tombar junto dos meus. Não lhes quero dar o desgosto de definhar longe e de levar comigo esta ansiedade.

O que faremos quando tudo for normal é fácil de colocar.

Caminhar sem chegar onde nos darão o último sorriso é devastador.