Fotografias Antigas

Revejo fotografias antigas e o papel amadurecido absorve-me enquanto o seguro. Desligo-me da realidade e foco-me em detalhes das imagens que me catapultam abruptamente para cenários do passado.

Observo pausadamente como todos envelheceram e como, fatalmente, alguns já não estão presentes. No papel tudo permanece estático naquele centésimo ou décimo de segundo. São águas passadas que congelaram e que nunca chegaram ao mar.

Existe um abismo entre contemplar fotografias e sentir o objecto impresso que ultrapassou longos anos em gavetas escuras. A imperfeição do papel, os carimbos, os cantos recortados e os apontamentos no verso sequestram a respiração de forma indescritível.

Não somos apenas o que aparentamos ao espelho. Na nossa essência está de onde viemos e onde constantemente ansiamos voltar.

“Parabéns Paulo”, 1983