Filme

Se eu estivesse numa sala de cinema o ecrã ainda não estaria inundado com nomes de pessoas desconhecidas. A história está contada mas as luzes que iluminariam o pesadelo não se acendem. Nesta espiral o fim é pontapeado com cada notícia feita de nada. Eu anseio pelo desfecho que ainda não está no guião.

No entanto, desta vez (ainda) não me assombra o desespero do apocalipse. Revejo as mesmas cenas mas estou ligeiramente mais distante da acção. Talvez os maiores receios estejam dissipados. Talvez o conceito de quotidiano se tenha adaptado. Talvez o cansaço seja agora apatia.

Ouvi hoje, porque não consegui evitar, uma conversa telefónica em bom português que, entre outras banalidades, anunciava uma fuga. Um regresso imediato ao lar. “Voar já”.

Eu compreendo. A melhor almofada está onde falam a língua dos nossos pais.

Eu inspiro fundo, deixo cair os ombros cansados e espero que o filme termine. Sentado.