Café

Aprecio o hábito de pousar o café ao meu lado antes de o provar.

Vejo-o quente enquanto, ainda confuso, se contorce na pressão da qual brotou. Um odor emana suavemente no ar e dissipa-se antes que eu o consiga inspirar profundamente. Penso que cheiro o café mas não consigo saciar-me.

Finalmente toco com os lábios na chávena que me observava impaciente.

Sorvo o café em pequenos golos até que o absorvo na sua plenitude. A porcelana desalmada medita abandonada. No fundo côncavo aconchega-se uma gota já fria.