Meia Maratona de Lisboa 2018 – Uma crónica tardia


11 de Março de 2018, o dia em que a “Meia da Ponte” passou a “Meia do Eixo Norte Sul”. Já lá vamos.

Por acaso da fortuna tive a felicidade de poder correr pela equipa Sporting Corporate, representando o BPI. O programa das festas incluía encontro no estádio de Alvalade, transporte até à partida e no regresso bem como banhos e repasto pós-prova (que não usufrui). Não podia desperdiçar a oportunidade de juntar o atletismo com a paixão pelo grande Sporting Clube de Portugal, pelo que a ameaça de saraivada não foi suficiente para me demover da empreitada de 21Km.

O dia levantou-se chuvoso como previsto e lá me dirigi ao estádio para levantar o dorsal que incluía uma surpresa com a oferta de camisola do Sporting. Depois das burocracias, troca de impressões com outros participantes e fotos de família lá nos dirigimos ao Eixo NS. A logística de corrida a iniciar no Eixo NS é mais simples do que a partida de Almada, embora possa ter sido um desapontamento especialmente para “maraturistas” estrangeiros, que teriam o incentivo extra de atravessar o rio e apreciar Lisboa vista da outra margem.

Face às previsões tempestuosas, considero sensata a decisão de alterações à corrida. O vento forte e imprevisível seria um risco para a turba no cimo do tabuleiro da ponte.

Em relação à prova: tinha treinado o suficiente para não ser empresa demasiado penosa, pese embora o temporal não fizesse ambicionar grande marca pessoal.

Ainda não tinha contado 2 Km depois da partida e cai a primeira carga de água, naturalmente para garantir que toda a gente refrescava. Fui mantendo o meu ritmo consistente mesmo na parte mais penosa da corrida, depois da viragem no Cais do Sodré, sempre com forte vento contra até à viragem final. Ainda antes desta viragem para o último troço que nos conduziria à meta, pelo meu quilómetro 16, cai uma chuva torrencial e vento que quase impediam de correr. Verifico após a corrida que o registo dos batimentos cardíacos disparou nessa altura, de facto foi agressivo ao ponto de quase ser difícil respirar em condições. Muito muito muito duro.

Cerrei os dentes e continuei como pude até à meta. Dever cumprido em 1 hora e 44 minutos.

No final de tudo, encharcado até aos ossos, com frio e fome é impossível não deixar de questionar: o que nos move, afinal?

PS1 – após a corrida estive cerca de um mês sem correr com problemas gástricos que ainda não estão 100% ultrapassados. Daí a pouca vontade de falar de corrida e do atraso nesta crónica

PS2 – esta corrida e a organização estão cada vez mais pobres. Prova cara, T-shirts sem qualidade, pouca animação no percurso (só me lembro de ver um (1!!!) palco com música…), etc

IX Trail de Conímbriga Terras de Sicó

Eu gosto de provas fáceis.

Proponho-me a desafios que considero mundanos. Não procuro conquistas impossíveis. Basta-me o desafio de pular a cerca da zona de conforto e (mais tarde) regressar intacto.

A nocturna e teatral passagem pelas ruínas de Conímbriga

Não encontrei no IX Trail de Conímbriga Terras de Sicó a tranquilidade que antecipava. A prova está longe de ser rolante como tanto se ouve… Os 111 Km anunciados no cartão-de-visita oferecem um leque de cenários para todos os gostos.

Os primeiros 50 Kms são bastante agradáveis e foi com motivação que abri a passada. A noite convidou o frio que congelou as pontas dos dedos. Quem assistia assegurou que o mercúrio se vergou aos -2 ºC. Com pavor do frio parti equipado com os meus melhores trapinhos e sobrevivi sem dificuldades. No entanto, mais do que acompanhar os quilómetros que pingavam no relógio, olhava ansiosamente para as horas à espera do nascer do sol.

Algures à noite a atravessar uma povoação

Como sempre, o sol nasceu sem atrasos. Iluminou a segunda parte da prova e aqueceu o esqueleto. Não mais me preocupei com o frio nem me incomodou o calor que acabou por se sentir.

Estava cansado e no percurso restante foi a alma que empurrou as pernas. O ânimo acompanhou a quebra física e a progressão tornou-se lenta. Cheguei à meta 11 minutos depois das 17 horas sem grandes festejos mas ciente que dois objectivos estavam alcançados: terminar; não entrar na segunda noite.

No topo do Monte do Sicó

Sentei-me para comer uma última sopa e uma doce Escarpiada oferecida pela organização. As dores desconcentravam-me enquanto encontrava caras conhecidas. Alternei palavras de agradecimento com as sensações que me dominavam: “foi horrível”, “estou tão cansado”.

Não foi terrível como genuinamente senti.

Terrível teria sido não ter tentado ser feliz nesse dia. Terrível teria sido adiar para um dia mais tarde os sonhos.

Finisher!

Muitos alongamentos depois a felicidade surgiu naturalmente e consigo ordenar algumas ideias:

  • A participação na prova obrigou à apresentação de uma Declaração Médica e de um Termo de Responsabilidade. Obriguei-me, por isso, a visitar um médico que entre outras coisas solicitou uma Prova de Esforço. Creio que será boa ideia manter revisões periódicas à máquina;
  • Existiu comida quente em quase todos os abastecimentos o que me agradou imenso e foi um forte empurrão para ultrapassar a noite;
  • Todo o percurso estava exemplarmente marcado;
  • Todos os outros Postos de Abastecimentos foram bastante acolhedores e reconfortantes. Obrigado! A excepção foi a primeira Base de Vida (Km 47) que encontrei ligeiramente desorganizada;
  • O PAC em Poios surgiu 3 Km depois do previsto (Km 75) quando o anterior coincidiu com o anunciado. Este é a minha única efectiva queixa. As horas acumuladas em prova não me permitiram ignorar esta diferença que foi percorrida num intenso monólogo recheado de palavras ordinárias;
  • Talvez por distração minha, não vi as massagens anunciadas para as Bases de Vida ou Meta;
  • Utilizei um frontal emprestado que transformava a noite em dia. Se no ciclismo existe “doping mecânico” no night trail isto será o equivalente!
  • Iniciei e conclui a prova sem mudar de ténis e os pés não denunciam a tareia que levaram!
  • A temperatura à noite foi efectivamente um problema. Confesso que não sei como conseguiram manter-se quentes os atletas que partiram de calções e de manga curta…
  • O encontro com os atletas dos 52 Km que partiram às 9h30m e que me ultrapassaram apressados não registou qualquer incidente. Nunca deixei de abrir a passagem, (quase) nunca me ultrapassaram sem agradecer e (quase) nunca seguiram sem me desejar boa sorte. Há de facto algo comum que nos move e que merece ser valorizado;
  • Em provas tão demoradas onde diversos imprevistos podem surgir tenho curiosidade em conhecer o número ou a percentagem de desistências e os seus motivos. Serei o único com este interesse?
  • A minha prova não foi concluída sozinho. Houve uma preparação que não realizei em isolamento. Sabia que tinha amigos (à distância possível) que acompanhavam os meus os passos. Mantive-me com pensamentos que me ocuparam e que me transportaram para mundos onde quero voltar.

Fitas! Fitas! Nunca mais acabam as fitas!

SaveSave

O Pijama do Sapo Cocas

Existem pessoas com objectivos desportivos decentes no que diz respeito à corrida – correr uma maratona, ir ao MIUT, entrar no lote restrito dos que completam o Ultra Trail do Mont Blanc.

O meu objectivo desportivo de final de 2017 foi tão somente correr a São Silvestre de Lisboa vestido com um pijama do sapo Cocas. Objectivo nobre, não? Parvo, talvez seja o adjectivo que mais se adeque. Tirem as vossas conclusões e escolham o adjectivo depois de lerem as próximas linhas.

Porquê correr a São Silvestre nestes preparos?

A ideia surgiu no dia da São Silvestre de Lisboa em 2016.

O meu aniversário é no dia 31 de Dezembro. A São Silvestre normalmente é nesse dia ou no anterior e para mim tem sempre um significado especial. É a minha festa de anos. É a grande celebração de estar vivo e em condição que me permitam corrê-la. Em 2016 realizou-se na manhã de dia 31 e estava imenso frio. Nesse dia vi um sujeito em preparos semelhantes aqueles que usei e pensei “epá, aquele tipo é que tem razão, pelo menos frio não tem! Para o ano venho igual!”. Bem dito, bem feito – não fui mascarado de cão castanho mas de um jovial verde-Cocas.

Em relação à corrida em si: acho que não fazia mais de 50 minutos numa prova de 10Km há uns 3 anos. Apesar da fatiota ser larga e não limitar tanto os movimentos quanto seria de esperar, com menos de 1 Km percorrido já estava a suar em bica. Condição que se manteve e piorou até ao final.

Sou um corredor sofrível mas competitivo. Se tenho um dorsal é para dar o melhor mesmo que seja vestido de pijama. Nos primeiros quilómetros ainda consegui correr abaixo dos 5 minutos por Km mas o suor e o calor fizeram-se sentir mais a partir de metade da corrida. A verdade é que já esperava uma fraca prestação, não sabia é quão má poderia ser. Neste caso o quão mau durou 51 minutos. Aquela subida da Avenida da Liberdade doeu, confesso. Chegou a passar-me pela cabeça caminhar mas aí o orgulho bateu mais forte, independentemente do tempo final, por muito lento que fosse não deixaria de correr!

Independentemente do esforço inerente à coisa que ficou certificado pelos mamilos assados do suor, acredito que retirei mais aspectos positivos desta experiência meio surreal. Passo a enumerar:

  • saí da minha zona de conforto. Não por ter corrido 10Km, porque essa é ainda uma distância confortável, mas sim por inevitavelmente ter muitos olhares em cima da minha figura verde. Por natureza sou uma pessoa discreta e que não vibra por ser o centro das atenções. Submeter-me ao ridículo perante milhares de pessoas foi uma forma diferente e terapêutica de não me levar demasiado a sério;
  • o sorriso das crianças! Havia muita gente a acompanhar a corrida. Os inevitáveis turistas e pessoas que aproveitavam os saldos na Baixa. Foram dezenas de vezes as que ouvi “Pai! Mãe! Olha ali o sapo!”. Poder ser a alegria e o riso de muitas crianças foi reconcortante.

Uma curiosidade: o olhar duplamente desconfiado do segurança que controlava a entrada no bloco de partida dos Sub 50 minutos. Imagino que tenha pensado “um maluco assim vestido ainda vem correr com direito a partir dos Sub 50?!”

Não sei se vou manter o outfit na São Silvestre do próximo ano, mas de certeza que vou continuar a fazer esta corrida com o espirito que ela merece!

Pontos positivos:

  • a excelente organização dos blocos de partida
  • a manta térmica no final para proteger os atletas do arrefecimento
  • o grande ambiente e numeroso publico a assistir

Pontos negativos:

  • a t-shirt deixou de ser da marca Asics

SaveSave

SaveSaveSaveSave

SaveSave

Tentar de Novo

Todos os dias, sem excepção, ouço sirenes que me enervam os tímpanos. Sei que sempre vaguearam apressadas pelas ruas mas eu não ouvia os berros.

Até que um dia me levaram.

Os acidentes são banais para quem não está no epicentro do azar. Tristemente, para as vítimas, as dores são genuínas. As cicatrizes tatuam histórias do Diabo na carne viva. Fatidicamente, mais vezes do que se imagina, a tragédia veste-se de luto.

Numa manhã de Abril atiraram-me violentamente ao chão. Maldição! O impacto desfez-me mas sobrevivi à hecatombe. Por mim choraram os olhos de quem me quer bem.

Hecatombe!

Foi um pesadelo em câmara lenta… Um desespero sem fim. Nada renasceu à velocidade dos sonhos e demorei incontáveis semanas a erguer alguma banalidade nos meus dias.

Voltei!

Voltei a usar as pernas e os braços. Voltei mas não estou mais forte como nos romances épicos. Ergui-me somente.

Calcei os ténis com saudade de tudo e de todos. Voltei gradualmente a correr. Voltei mas não regresso mais determinado.

Redefini desafios. Adaptei-me. Mantive o que merecia ser conservado. Abdiquei das sobras que perderam o sentido.

Onyria Running Challenge 2017

No último trimestre actualizei os meus melhores registos aos 10 quilómetros, meia-maratona e maratona… Mas a genuína emoção senti em Junho quando corri 20 minutos aos pulinhos. Não quero esquecer essas deliciosas e receosas passadas.

Voltei porque todos os dias, sem excepção, são um milagre.

Vale a pena tentar de novo!

from "Citizen Khodorkovski" (portuguese subtitles only)

A post shared by Paulo Jaime (@pajabm) on

IV Grande Trail das Lavadeiras

O pelotão defendeu que foram as abelhas que espalharam violência. Não tenho a certeza plena porque quando os ferrões me trespassaram senti que fosse um crocodilo a saltar do Mondego *¹.

O ataque das abelhas é a única queixa que trouxe do GTL. Tudo o resto, merece ser dito, foi imaculado. Aprecio bastante as provas que são desbravadas por um grupo de pessoas dedicadas. Se existirem fins solidários, como é o caso, então o reconhecimento público faz ainda mais sentido.

“Obrigado” foi o que ouvi quando perceberam que tinha acordado de madrugada e conduzido duas centenas de quilómetros para participar. Este empenho esteve patente ao longo de toda a prova.

A altimetria não assusta mas esconde agradáveis surpresas!

Alinhei no Trail Longo de 25 Km com três grandes objectivos (ou nem tanto):

  • Apanhar alguns dos atletas do Ultra Trail cuja partida ocorria 30 minutos antes e com quem partilharia o percurso dos primeiros 18 Kms;
  • Não ser ultrapassado por nenhum atleta do Trail Curto que partia 30 minutos depois de mim;
  • Cruzar a meta antes do primeiro atleta do Ultra Trail.

Objectivo plenamente concretizado!

Espero que para o ano haja mais com a mesma quantidade de água ao longo do percurso!

Suficientemente sujo mas inteiro na meta! (Foto Original: “Fotojotapê”)

Nota ¹: O curioso incidente com as abelhas merece um pouco mais de detalhe! No single track inicial junto ao rio, quando eu seguia na 2ª posição de um grupo de 4, o atleta da frente exclama “o que se passa ali!?”. Direcionei o olhar mas antes de processar o alerta fui alvejado na perna e no tornozelo. Embrulhados uns nos outros fugimos dali aos encontrões. O incómodo manteve-se durante toda a prova. As comichões foram domadas com pomada ao longo da semana.

SaveSave

Primeira Corrida das Festas de Loures

Costumo dizer em tom de brincadeira que as autárquicas são as unicas eleições que se deviam realizar todos os anos: Os buracos nas estradas são arranjados, os jardins ficam mais compostos, as obras estrategicamente adiadas são feitas. E à boa maneira de Roma, há Pão e Circo.

E o que é que isto tem a ver com corrida? Nada!

Bom, tem alguma coisa. Vem a propósito da ultima prova em que participei – A Primeira Corrida das Festas de Loures.

Esta foi uma prova que se realizou precisamente há uma semana e como o nome indica fazia parte do programa das festas do Municipio.

Prova de 10Km (o relógio contou menos algumas centenas de metros), com percurso circular de duas voltas de 5Km a iniciar no Parque da Cidade, passando pelo Infantado, pelo centro de Loures e de regresso ao Parque.

Como todas as provas em circuito tem vantagens – a possibilidade de conhecer os troços e saber onde gerir – e desvantagens – o facto de se repetir o circuito causa algum desgaste a nivel psicológico quando pensamos “raios, já estou queimado e ainda faltam duas voltas destas…”.

Pessoalmente pelo facto de morar perto da prova consegui acumular a vantagem e a desvantagem numa mesma corrida. Santos da casa não fazem milagres.

A prova foi gratuita, com um abastecimento de água, oferta de T-Shirt técnica e abastecimento na meta com água, isotónico, melão, banana, melancia. E medalha! Excelente value for money. Espcialmente  quando o money foi ZERO.

Ah, ano de eleições. Maravilha. Senti que o meu IMI estava condensado em cada talhadinha de melão que era servida no final. Desfrutei, ainda assim.

O resultado? Pouco mais de 45 minutos de prova, 164 lugar, 28 lugar do escalão. Queriam melhor? Repito: Santos da Casa não fazem milagres.

Havendo prova para o próximo ano, lá estarei. Provavelmente já sem fruta nem isotónico.

 

 

14ª Corrida de Solidariedade

Ainda antes de me descolar dos lençóis ouvi a chuva do outro lado da janela. Não foi surpresa. Os iluminados estudiosos dessa ciência oculta que é a meteorologia já o tinham profetizado.

Quando o local de partida e de meta não coincidem a chuva é um aborrecimento maior… “É só água” pensei em voz alta. Procurei um poncho de plástico esquecido numa gaveta e o tema foi ultrapassado.

“Chuva Pesada” no Facebook

O pavilhão do ISCPSI, que serve de quartel general da 14ª Corrida de Solidariedade, foi um abrigo perfeito até à hora da partida. Alonguei e mantive-me seco.

Juntei-me à causa, em beneficio da APAV, pelo terceiro ano consecutivo. É uma prova simples com a qual simpatizo. O seu amadorismo profundo não me incomoda. E os pastéis de nata, depois da meta, asseguram que a minha opinião se manterá positiva.

O percurso permanece inalterado. Exige, nos primeiros metros, algum cuidado com o pavimento irregular mas depois é acelerar até onde o corpo e a mente ousarem ir.

Não tenho direcionado nenhum treino para provas de 10 Km em estrada e por isso não me foquei num objectivo ambicioso. Queria manter um ritmo constante sem quebras finais… E isso já não é pedir pouco!

Curiosamente a prova desenrolou-se de modo inverso ao ano anterior. Parti à frente do pacer dos 4 minutos que me ultrapassou perto do meio da corrida. Não o acompanhei mas também não o perdi de vista.

Fui conseguindo ultrapassar alguns atletas na segunda metade da prova e nos dois últimos quilómetros acelero. O pacer incentivou quem estava à sua volta e quem, como eu, o tentava apanhar. Esforcei-me por abrir a passada e aumentar a cadência mesmo sentindo que já não o conseguia. O coração acelerou até ao último metro.

177 bpm, 176 bpm, 175 bpm…

Inspirei. Expirei. Inspirei. Expirei. Cumprimentei o pacer e agradeci a genuína ajuda.

Acho que a chuva não parou de cair. Não sei, estava desligado desse fenómeno natural. Senti-me contente por ter participado e melhorado o tempo de 2016 em 10 segundos.

Há dois pontos em que, sem grande esforço, a organização pode evoluir em 2018:

  • Um tiro de partida que se ouvisse! Não sei sequer se houve uma partida… Comecei a correr quando todos arrancaram;
  • Não é complicado ter um tapete para controlo dos chips na partida e para quem se preocupa com tempos (líquidos) isso faz toda a diferença.

III Trail de Almeirim – Na Rota do Vinho e da Sopa da Pedra

Foi um tremor de terra. Eu bem o senti. Todo o chão se moveu debaixo do meu corpo naquela descida que parecia não ter fim. Senti as pedras soltas que o meu esqueleto pisava. Não me consegui agarrar a nada e parei quando, por acaso, encalhei em alguma coisa.

Antes de me levantar tentei perceber se estava inteiro. Estava completo! Finalmente alguma coisa me corria bem no III Trail de Almeirim.

Entretanto chegou um atleta que de imediato me ofereceu ajuda. Agradeci e pedi-lhe que continuasse a sua prova. O sangue nos joelhos e nos braços não o convenceram e insistiu na oferta. Sorri, assegurei-lhe que a descer todos os santos ajudam e que iria continuar até à meta assim que respirasse fundo. Depois de passar a meta fui, pela primeira vez, cliente dos bombeiros. Simpáticos (“isso está feio”) e atenciosos (“se precisares de mais alguma coisa volta”) puseram-me melhor do que me encontraram.

Bem antes de pintar os joelhos a vermelho-sangue. (Foto Original: “A20KM – Trail Running Team”)

Comecei pelo fim da história mas recuo até à partida para partilhar que corri sem olhar para o ritmo a que me movia. O relógio mostrava-me apenas o batimento cardíaco e tentei guiar-me por ele como se fosse um conta-rotações.

Mantive-me sempre acima do ritmo que julgava óptimo mas senti-me bem e fui ingenuamente andando. Tinha, no entanto, a plena noção de que estava rodeado por atletas mais rápidos que eu e que a ousadia de os acompanhar era arriscadíssima.

Mas quem não arrisca não petisca! (Foto Original: “A20KM – Trail Running Team”)

Finda a primeira metade da prova as pernas acusaram o esforço e o desgaste de um sobe-e-desce sem fim. Abrandei para tentar recuperar mas, se o ritmo cardíaco baixou, as pernas estavam perdidas. Os últimos 10 Km foram concluídos num grande esforço muscular com diversas paragens para alongar.

As minhas velhas amigas câimbras fizeram-me uma visita à moda da Idade Média. Deixei de conseguir correr mas obriguei-me, sem piedade, a insistir nesse esforço.

Honestamente a queda, já no fim da prova, não prejudicou o meu desempenho. Sei que não abordei a prova de uma forma cautelosa e acreditei que fisicamente estaria melhor preparado.

Relativamente à prova algumas considerações e elogios:

  • Organização sem reparos, repleta de voluntários animados e dedicados. O ambiente da prova é bastante agravável;
  • As instalações são igualmente óptimas em termos de acessibilidade e com luxuosos banhos quentes no fim;
  • O almoço (incluído na inscrição) reconfortou-me e colocaram-me à vontade para repetir se o desejasse;
  • As marcações não falharam e eram facilmente visíveis face ao generoso tamanho das fitas;
  • Os abastecimentos foram abundantes numa prova com menos de 30 Km!
  • A massagem gratuita (praticamente sem fila de espera) é mais um ponto positivo que deve ser destacado;
  • O percurso da prova dos 30 Km é que não me arrebatou. Os circuitos em ziguezague, por vezes às voltinhas numa pequena área delimitada não acrescentam para mim grande beleza. Mas é uma questão de gosto pessoal porque sei que há quem os aprecie.

VI Trail Montes Saloios

A meteorologia que pouco mais dá do que previsões anunciava chuva. E chuva forte. Não havia alternativa. E foi debaixo de chuva, ainda de noite, que conduzi até Covas de Ferro para repetir o Trail Montes Saloios.

É uma prova simpática, perto de Lisboa, com várias caras conhecidas a dispararem fotografias e incentivos nos abastecimentos.

A partida coincidiu com o fim da chuva. Coincidência, porque não existem fenómenos que a lei das probabilidades não justifique, mas uma coincidência agradável que se estendeu a toda a prova. Nem houve chuva digna de ser referida nem ventos fortes!

Na aproximação (rápida) ao primeiro PAC!

À semelhança do ano anterior a prova pode ser dividida em duas partes. Uma inicial rápida e uma seguinte trepadora. Nenhum delas foi fácil mas ambas são divertidas. A abundante lama e as infinitas poças de água, que nem tentei contornar, foram constantes.

Honestamente o maior mérito não esteve em terminar a prova. A virtude está do lado de todos os que se levantaram da cama com tanta chuva na rua e optaram por não ficar debaixo dos lençóis. Todos sabemos que a chuva é apenas água mas o chá quente e uma manta nas pernas são bem mais tentadores.

A escassos metros de atravessar uma ribeira.

Sem reclamações a apontar deixo duas meras sugestões para o ano (porque em 2018 penso voltar)!

– Anunciar a distância exacta. Os 26 Kms previstos transformaram-se (ainda antes da prova) em 27,6 Kms e no terreno o GPS converteu-os em quase 29 Kms. Ninguém se aborrece com mais uns metros mas a diferença é significativa;

– Corrijam, por favor, o “benvido” que está pintado na parede do pavilhão. Eu prefiro ser “bem-vindo” a Covas de Ferro! Obrigado!

“Benvindo”?!

 

Ericeira Trail Run 2016

O dorsal surgiu-me no colo por magia do PMC e foi inevitável calçar os ténis.

Do Ericeira Trail Run pouco ou nada sabia. Nunca tinha tido a curiosidade para pesquisar muito sobre a prova apesar da proximidade a Lisboa. Manias minhas.

Assumi a corrida como um treino em prova! Resolvi partir depressa e aguentar, aguentar, aguentar… O plano era simplesmente seguir num ritmo forte até rebentar.

Não compreendi bem a partida (supostamente) controlada que alongou imensamente o pelotão nos metros iniciais. A prova começou a sério junto à Praia do Sul para depois se iniciar uma subida em alcatrão. E foi em alcatrão que continuou. O alcatrão foi uma presença próxima. Em loop encravei no pensamento “devia ter trazido os ténis de estrada… devia ter trazido os ténis de estrada… devia ter trazido os ténis de estrada”…

A zona da foz do Rio Lisandro é a mais bela de todo o percurso da prova mais curta. É agradável (tentar) acelerar naquele trilho! Mas a beleza deste 2 Kms não chega para fazer uma prova.

Cruzei a meta com uma média-canhão para aquilo que estou habituado numa prova de trail. E isso facilmente se explica por esta prova decorrer em terreno misto. Não é trail. É algo híbrido pelo menos na distância dos 20+ Kms.

Saliento ainda a falta de elementos da organização ao longo do percurso (com excepção aos pontos de abastecimento). Em duas passagens de estrada mais perigosas teriam sido um conforto relevante.

Honestamente não é uma prova que me seduza repetir.

Acompanhou-me em prova o JAD regressado de uma paragem por lesão. Terminou como sempre cheio de força e feliz por regressar às lides.

Fim!